Expectativas dos primeiros passos

Está começando agora no barbear tradicional e tem algumas dúvidas? Veja alguns pontos importantes que poderão lhe ajudar a seguir bem por esse caminho.

Olá.

Se você quer começar a se barbear com Safety Razor ou já o faz a pouco tempo e tem algumas dúvidas, este post poderá ser interessante.

Seguindo a linha apresentada pelo Kell Albuquerque em Crônicas de um iniciante, gostaria de compartilhar alguns pontos que percebi nos primeiros meses no barbear tradicional e como os encarei, evitando que me atrapalhassem ou mesmo me fizessem desistir de me aprofundar mais no assunto.

Bom, sem rodeios vamos a algumas considerações que podem te ajudar a iniciar nessa jornada.

 

Você chegou aqui pensando em economizar algum dinheiro?

Acha o preço dos refis multilâminas abusivos e não quer mais gastar com isso? Ok, você conseguirá pois não comprará mais multilâminas, porém… sabe aquele seu pincel Ricca? O creme baratinho que usava para fazer espuma? Achava que pós barba era frescura? Então… você que chorava ao pagar R$ 50,00 em um refil de multilâminas pagará sorrindo o dobro por um bom pincel e sabe-se lá quantas vezes mais por uma máquina e achará que tem que ter mais do que um produto de cada. A diversidade e qualidade dos produtos não é algo que estamos acostumados, ao conhecer o que o barbear tradicional tem a oferecer, tanto em produtos quanto à qualidade do barbear, é normal querermos experimentar muitas coisas.

 

Produto ou técnica

Você comprou um “barbeador antigo” Super Barba, uma caixinha de lâminas Wilkinson e fala para os seus amigos que multilâminas não presta, aí depois do primeiro barbear você precisa fazer uma transfusão de sangue e percebe que a coisa não é bem assim.
Não estou tendo sucesso no barbear tradicional devido a minha (falta de) técnica ou devido os produtos que estou usando? Acredito que alguns conseguem ter um bom barbear com produtos precários, mas não creio que seja uma opção para iniciantes. Se puder ter um bom pincel, máquina e cremes/sabões/loções indicados por algum amigo que já utiliza estes produtos ou mesmo aqui do blog será melhor, pelos menos você tira a dúvida se a culpa é do material e poderá focar mais na técnica.
Adendo: “Não quero gastar muito porque aí, se eu me arrepender, não terei perdido muito dinheiro”. Considero que a chance de se arrepender usando materiais de baixa qualidade é maior, mas se você experimentou, por exemplo, uma Merkur Progress, um Semogue 1305, um sabão Tabac e uma loção Proraso por duas ou três semanas e se arrependeu… rapaz, esse é um mundo em que de fato você não deveria estar.

 

Onde eu compro esse tal de BBS?

As primeiras barbas não serão tão rentes quanto as que você tinha com multilâminas, mesmo depois da terceira passagem (ainda mais quando você estava acostumado com apenas UMA), portanto não insista em fazer uma barba perfeita no começo, isso só irá maltratar a sua pele. Na busca em aprender mais sobre o barbear tradicional você verá o pessoal comentando de três passagem + retoques, fiz isso nas primeiras vezes, mas segui o conselho de um confrade (esse termo será corriqueiro daqui em diante) em tentar duas passagens caso as circunstâncias permitam, ou seja, se você pode trabalhar com uma barba um pouco mais rala ou aparente, então submeta-se a isso no começo para ir “pegando a mão”, acostumando a pele, amaciando o pincel, conhecendo os produtos… por vezes e com um pouco mais de experiência duas passagens podem ser suficientes para um bom barbear. Verá que barba após barba irritará menos a pele, terá menos pontos de sangue, o rosto arderá menos e assim por diante.

 

Como diria aquele personagem: “tá bom, mas não se irrite…”

Uma, duas, três barbas depois e você ainda sangra um monte, irrita a pele, acha que a espuma não está boa mas vai essa mesmo, o que mais tem no seu rosto é “resto de barba” pinicando pra todos os lados e, ao final, você tem vontade de jogar tudo pela janela, acha que as dezenas ou centenas de reais gastos não valeram de nada e fica com raiva de você mesmo. Eu li dezenas de posts, assisti outras dezenas de vídeos e alguns conselhos são unânimes, entre elas está a de não fazer pressão ao passar a Safety Razor/navalha/navalhete, contudo você ainda aplica a mesma pressão que aplicava quando usava o multilâminas. Acredite, você terá consciência disso e pensará que está aplicando menos pressão, e até estará mesmo, mas ainda será muita quando está a usar um Safety Razor. Passei a máquina a ponto de achar que nada cortava (ainda mais com uma Muhle R89) tal era a falta de pressão, mas após a segunda passagem os pelos não estavam mais lá. Foque que a próxima experiência será melhor.

 

Terei que ter calma até quando?

Outra boa prática que verá no barbear tradicional: teste, teste, teste e… por fim, teste mais um pouco.
A máquina X com a lâmina Y e os produtos Z terá efeitos diferentes em duas pessoas diferentes, ou seja, os mesmo produtos darão resultados diferentes para você e para o seu irmão e os mesmos produtos darão resultados diferentes para você em dias diferentes. Permita-se não ter um bom barbear as vezes, o barbear tradicional não é garantia de felicidade 100% das vezes, mas você irá perceber que pensará muito mais nisso, poderá ficar ansioso para barbear-se afim de testar esse ou aquele produto ou ver se sua técnica melhorou, como dizem, isso passa a ser prazeroso, um hobby.

 

Piadas?

Algumas coisas que talvez você ouça, mas não deve escutar: “eu tenho uma dessa, isso não funciona!”, “isso é antigo”, “meia hora pra fazer a barba?!?!”, “agora você não pensa em outra coisa.”, “mas você já não tem um?!?!”, “você faz a barba três vezes? (referência às três passagens)”, “você pagou tudo isso?!?!” blá blá blá.

 

Pessoal, aqui está só uma fração das dúvidas que podem surgir nesse meio que é tão amplo e, por hora, creio que estas dicas podem ajudar os que estão iniciando nessa caminhada.

Em breve mais dicas e, caso você tenha alguma dúvida, poste nos comentários que teremos prazer em respondê-las.

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Review/Análise – Matador Toro Mastiff

Resenha\review do barbeador Matador

Fala, galera! Kell na área novamente!

Desta vez, trago uma breve análise de um aparelho que eu acredito ser muito pouco conhecido. Trata-se da Matador Toro Mastiff.

Esse foi meu segundo barbeador. Eu o ganhei em um PIF (pass it forward) do fórum Barbear Tradicional Brasil. Em virtude de ter sido um presente, e de ser um barbeador já usado, algumas coisas irão faltar, como imagens da embalagem original, por exemplo.

Parte da análise terá uma comparação com meu primeiro barbeador, a Edwin Jagger DE89, sobre a qual já escrevi e recomendo a leitura. Clique aqui para ler.

Primeiro uma foto do aparelho. Este exemplar é da versão Gold, tem a versão cromada também, e versões Corto e Largo, que eu acredito que deva se referir ao tamanho.

O único site, na época, que tinha à venda, que eu me lembre, era o Razor Blades and More.

A Matador é um aparelho de 3 peças (ou 4, depende do ponto de vista). A construção é bem robusta, não passa a menor impressão de fragilidade. O acabamento é um ponto em que a avaliação fica um pouco prejudicada pelo fato de ser um aparelho já usado, e eu não faço ideia de por quanto tempo foi usado antes de eu recebê-lo, então não tenho como descrever o acabamento de uma peça dessas nova. Entretanto, a julgar pelo bom estado do meu aparelho, imagino que deva ser um bom acabamento; talvez não chegue no nível de uma Edwin Jagger, mas com certeza é um aparelho bem feito.

Sobre a origem, tudo o que consegui garimpar em fóruns gringos foram informações de que ela seria fabricada na Índia. Alguns usuários chegaram a afirmar que seria praticamente a mesma coisa de alguns modelos de outras marcas (RazoRock, Cadet, Pearl, etc.). Como não conheço muita coisa a respeito, não sei o que dizer…

Aqui o que eu falei sobre ser 4 peças dependendo do ponto de vista. O cabo tem uma parte rosqueável no fundo que, ao ser retirada, deixa o aparelho mais curto e mais leve. Achei legal ter as duas opções de uso.

Sobre o tamanho, Não cheguei a medir o meu aparelho   , mas de acordo com o site que o vende, tem cerca de 4 polegadas.

Tamanho comparado à minha Edwin Jagger DE89 Barley.

O peso é mostrado nas imagens a seguir.

Completa.

Sem a parte inferior do cabo.

O barbeador tem uma boa maneabilidade.  O peso é um pouco mais distribuído para o cabo, mas nada que a torne desbalanceada ou prejudique o uso. Aliás, o cabo é um show à parte. Ótimo peso, bem “maciço”, tem um recartilhado que ajuda no grip e ainda o lance do fundo removível para deixar o aparelho mais curto e mais leve, caso queira. Fora isso, é um cabo bem bonito.

Falando da agressividade do aparelho, farei algumas comparações em relação à EJ DE89. Bem, de acordo com o que li em fóruns gringos, os relatos são de que a Matador Toro Mastiff estaria, no quesito agressividade, em algum lugar entre a EJ DE89 e uma Muhle R41.

O cabeçal é closed comb, mas é perceptivelmente mais agressivo do que a EJ. De acordo com o ranking de agressividade elaborado no fórum Badger & Blade, na escala 0 a 10, a Matador Toro Mastiff está em 4,5; a EJ DE89 em 2,5 e a Muhle R41 lá no topo (9,5 para a versão 2013 e 10 para a versão 2011).

Para ver a tabela mencionada, clique aqui. (Tabela não elaborada por nós do blog. Todos os créditos ao pessoal do fórum Badger and Blade).

O nível maior de agressividade em relação à EJ é bem perceptível, então eu fui comparar o cabeçal de ambas. Não sei se vai dar pra perceber na foto, mas o espaço entre a lâmina e a barra de segurança é bem maior na Matador (à esquerda).

Quanto ao uso, no começo eu tive um pouco de dificuldade. Minha impressão inicial é de que não é um aparelho tão intuitivo quanto a EJ. Demorei um pouco mais pra achar o ângulo correto, se colocar alguma pressão dá pra sentir bem a lâmina no rosto, então tem que ter um pouco mais de cuidado. Testei com a lâmina Astra SP, que rendeu um bom barbear. Também usei com uma Laser Super Platinum e o barbear foi excelente, um dos melhores que já tive no início de carreira de wetshaver. Com a Feather a coisa já não foi lá tão boa assim. Ainda cabem muitos testes e ainda tenho um monte de marcas de lâminas pra testar até achar a melhor combinação.

Eu gostei demais desse aparelho. O nível de agressividade um pouco maior me permitiu barbeares com algum esforço a menos em comparação com a EJ. Não sei se recomendaria como uma primeira safety razor, visto que é bem pesada e o ângulo é um pouco menos intuitivo. Para uma primeira máquina a Edwin Jagger me parece ser uma escolha bem mais acertada.

Enfim, é isso. Espero que tenham curtido.

Até a próxima!

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Safety Razor Merkur Progress

A Merkur Progress tem um design clássico assim como a maioria dos aparelhos de barbear ditos “antigos”, as safety razors. Esta excelente máquina está na seção das ajustáveis, ou seja, a exposição da lâmina é variável.

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Fundada em 1906 pelo Sr. Dorp e Sr. Voos na pequena cidade de Solingen, a empresa DOVO era uma simples fábrica de máquinas de barbear. Nos anos 30 a fábrica acompanhou o crescimento da cidade e expandiu os seus negócios pela Europa e, após a Segunda Gerra Mundial, a DOVO buscou agregar mais valor ao seu negócio adquirindo empresas de produtos de barbear, entre elas estava um dos seus principais fornecedores fundado em 1896 por Emil Hermes: a Merkur. Curiosidade: a imagem da Merkur, o perfil com um capacete alado, faz referência ao deus grego Hermes (em homenagem ao fundador Emil Hermes), ou Mercúrio na mitologia romana, que era o mensageiro dos deuses.

Atualmente a Merkur possui uma boa variedade de safety razor, a conhecida e preferida de muitos 34c, o conceito slant através da 37c e 39c, as ajustáveis representados pela Futur e Progress entre outras.

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Merkur Progress (cabo longo)

A Merkur Progress, foco deste post, tem um design mais clássico se comparada à Futur, é encontrada atualmente em dois tamanhos: uma com 88 mm e outra com 105 mm, sendo essa diferença o tamanho do cabo. Composta de duas peças a Progress apresenta 5 níveis de ajustes regulados por uma peça plástica amarela localizada na extremidade inferior do cabo, girando-a é possível elevar ou abaixar a tampa de forma que a lâmina fique mais ou menos exposta, isso lhe entrega uma máquina suave com menos exposição da lâmina e também uma mais agressiva com mais exposição da lâmina, apenas trabalhando com a sua regulagem.

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Comparativo entre  as Merkur Progress cabo longo e cabo curto

Iniciei no barbear clássico com uma Muhle R89, reconhecida por sua suavidade, com poucos meses de uso buscava uma safety razor um pouco mais agressiva, com uma exposição um pouco maior da lâmina pois sentia que conseguiria um barbear um pouco mais eficiente além, claro, da curiosidade de experimentar outros aparelhos. Em algumas semanas estava eu com uma Progress de cabo curto, máquina perfeita, excelente acabamento, robusta, equilibrada e que me dava barbeares surpreendentes. Me adaptei bem ao seu cabo, considerado por alguns como um cabo liso e sem aderência, pra mim correu sem problemas para suportar as suas 94 gramas. Gostei tanto da máquina que em mais algumas semanas lá estava eu com Progress de cabo longo, com um cabo um pouco maior e levemente mais pesada (101 gramas), esta foi tão satisfatória quando a anterior.

O barbear com a Progress é muito confortável, pensei que teria problemas para me adaptar à uma safety razor com ajuste mais agressivo já que a minha experiência vinha de uma máquina suave (Muhle R89), mas por ser uma máquina muito versátil, ela trabalha bem com uma grande variedade de lâminas e tudo foi na mais perfeita ordem.

Vendi a Progress de cabo curto a alguns dias, pois comprei a de cabo longo para ficar apenas com esta, mas confesso que com as duas em mãos hesitei várias vezes em me desfazer de qualquer uma delas. Alguém perguntaria: mas elas não são iguais? Praticamente sim, mas eu não saberia informar com clareza o que me fazia querer ficar com as duas. Enfim, venci o próprio egoismo e repassei a primeira à um grande confrade do blog.

Me desfazer hoje da Merkur Progress de cabo longo? Talvez, quem sabe para comprar a de cabo curto novamente. 😉

Referencias
merkur-razors.com

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